Dicas de Corredor: Questão de geração

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A minha geração chegou à maturidade. Quem viveu a adolescência nos saudosos anos 80 hoje já passou dos quarenta.

 

Não vou ficar enumerando didaticamente os feitos, mas inquestionavelmente deixamos nossa marca no cinema nacional atual, na forma de fazer jornalismo, nas empresas, na sociedade e em diversas outras áreas.

 

Estamos no ápice produtivo. Lideramos as mudanças de forma muito mais preparada e sistematizada que a geração anterior. Crescemos incorporando o american way of life no que ele tinha de conveniente. Aprendemos a tomar Coca-Cola e a respeitar a força das inovações e o pragmatismo americano. Mas não caímos de joelhos aos ianques. Pelo contrário, nos apresentamos de forma madura em nossa brasilidade, com nosso guaraná e chinelos Havaianas.  A síndrome de vira-latas foi finalmente curada. Saímos do divã.

 

Quando vi a estatística sobre o número de praticantes de corrida no Brasil entendi que este era mais um legado da minha geração.  Somos mais de seis milhões de corredores. E este número explodiu nos últimos 10 anos, justamente quando a turma do Atari chegou aos 30.

 

Explico. Quem cresceu nos anos 80, mesmo que nas grandes metrópoles brasileiras, ainda tinha muito contato com as ruas, com as brincadeiras de rua. Era futebol no campinho da praça, brincar de taco, polícia-ladrão, empinar pipa, bolinha de gude, etc.

 

Em determinado momento, esta turma entrou no mercado de trabalho, se desenvolveu, casou, teve filhos e deu uma relaxada. Mas ai veio a reflexão sobre qualidade de vida e o passado de atividades e de amizades feitas na rua foi resgatado.

 

Correr nas ruas, viajar, buscar um grupo de treinos nada mais é do que se conectar ao passado.

 

A corrida é o esporte mais que óbvio para este povo que competia muito para ser o melhor da turma. Muitas das brincadeiras envolviam corrida, velocidade. Corríamos o dia inteiro. É claro que não marcávamos distância ou tempo, tampouco havia esta consciência de que correr era legal. Nada disto! O prazer estava no movimento. Sentir o ar batendo no rosto ao pedalar uma bicicleta em alta velocidade ou descendo uma rua com um carrinho de mão.

 

Ao praticar corrida de rua com 30, 35, 40, 45 anos ou mais estamos rompendo com um círculo vicioso que foi passado de geração a geração. O homem e a mulher depois de certa idade se entregavam ao ócio, como se casar e gerar filhos fosse o último estágio antes da aposentadoria.

 

E para finalizar deixo uma frase que um amigo gosta de citar: “Quando eu não tinha grana para comprar um carro, eu andava a pé. Agora que tenho grana e um carro, eu corro”. Fazer o quê, não é?

 

SOBRE A COLUNA

 

“Meu nome é Edmilson Lacerda, tenho 43 anos, sou administrador de empresas e resido com minha família em Curitiba. Fui convidado para participar com uma coluna semanal neste blog, basicamente por dois motivos: gosto muito de escrever e levo muito a serio esta paixão; e também porque sou adepto da corrida de rua desde 2003. Lá se vão, portanto, doze anos de treinos diários, grandes aventuras, centenas de provas de 10 km, diversas meias-maratona e quatro maratonas, sendo duas delas internacionais. Através dos meus textos vocês viajarão pelo universo das corridas e espero transmitir minha experiência de um jeito leve e divertido, para quem sabe inspirar e até provocar uma mudança de hábito em suas vidas.”