Dicas de Corredor: Primeira meia maratona – 21km

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Minha primeira meia maratona foi a 2ª edição da Meia Maratona São Marcelino Champagnat, organizada pela PUCPR e realizada no dia 11/07/2004. Não por acaso, 11 anos atrás.

 

Transcrevo abaixo grande parte das minhas anotações após a corrida.

 

“Sábado fui dormir cedo, por volta das nove da noite. Acordei várias vezes durante a madrugada. Fazia cálculos, estratégias, me dava sede, tomava água, ia ao banheiro. Às quatro da manhã, num destes despertares, cheguei à conclusão de que precisava correr num ritmo constante de 4 minutos e 15 segundos por km em toda a prova, o que me garantiria um tempo de +- 1h35 min.

 

Levantei às sete, tomei banho e fui para a PUC. A largada estava prevista para as nove da manhã. Frio de 5 graus e os 400 corredores todos aquecendo.

 

Largada: 08h59 min. Tenho certa dificuldade de encontrar meu ritmo e sei que os quatro primeiros quilômetros são muito importantes. Larguei no pelotão da frente e na primeira curva avistamos a primeira subida forte, mais ou menos 700 metros com muita inclinação. Procurei olhar para os lados e prestar atenção nas casas e prédios.

 

No primeiro ponto de distribuição de água, no km 4, olhei para o relógio: 17 minutos. Calculei rapidamente e vi que estava no ritmo. Começava a se delinear meu pace e minha estratégia. Não procurei ultrapassar, fui segurando meu ritmo, mesmo quando minha respiração estava boa e minhas pernas tendiam a disparar. Sabia que precisaria de fôlego no final.

 

Conclui os oito primeiros quilômetros. Como previ, peguei água neste momento, consegui tomar dois goles curtos e molhei pulsos e pescoço. Um corredor passou por mim, de camisa laranja e calção verde limão, e foi meu companheiro até o final, sempre na minha frente alguns metros.

 

Do km 8 ao 12: preocupações e elucubrações, coisa da cabeça mesmo. Nunca tinha passado de 10 quilômetros numa prova. O que aconteceria com meu corpo? O tempo começou a passar lento. Avistei já em São José dos Pinhais (já estava em outra cidade) a placa dos 12 km e duas pessoas distribuindo água. Pensei: Passei da metade, faltam 9 km, agora é só descida (coloquei na cabeça que o mundo é redondo, então passei os primeiros 10 km correndo em subida e o final era ladeira abaixo). Ledo engano. Haveria subidas pela frente, mas não importava. No km 12 eu vi que tinha tudo para terminar bem e meu tempo estava excelente. Passei no km 12 com 49 minutos.

 

No km 15: o susto. Minha barriga “empedrou”. Achei que era excesso de suor na camiseta, mas quando segurei a camiseta vi que era a musculatura da barriga que tinha se retesado. Preocupei! Será que vou “quebrar” justo agora? Se quebrar, azar, mas vou continuar no meu ritmo até onde der. Mais um quilômetro se foi, mais um posto de abastecimento de água passou. 16 km, agora faltava exatos 5 km e 100 metros.

 

Minha barriga permanecia dura. Tomei novamente dois goles de água e joguei um monte de água na cabeça. Alívio!  Corri mais 4 minutos, sabia que estava no km 17. Força, rapaz! Neste momento passaram voando por mim uma mulher pequena, magra e um corredor do lado, também pequeno e magro. Gritaram: “Força, vamos, vamos!”.

 

Juntei os cacos de meu corpo desgastado e acelerei a passada. Eles distanciaram de mim alguns metros, chegando ao meu companheiro de laranja, e ele também se contagiou com o ritmo dos dois corredores.  O resultado foi que o pelotão acelerou junto e nos unimos a outro grupo de três corredores que estava mais à frente. Eram, portanto, seis corredores, e eu aproximadamente uns 20 metros atrás, mantendo uma balada bem forte e não os perdendo de vista. Olhei para trás pela primeira vez ao longo da corrida e não vi ninguém.

 

Km 19. Olhei para o asfalto e lá estava: “19km”…não resisti, rodou um filminho em flashback: os primeiros passos para sair do ostracismo, da inatividade, a força de vontade para superar a preguiça, o sobrepeso, e chorei. Chorei sozinho, ria, chorava… Passava neste momento por um bairro em São José dos Pinhais e um monte de gente na rua apoiando e eu chorando e rindo. Não sentia dor, não tinha cansaço, era o meu momento especial.

 

Cheguei ao final da corrida, última reta, entrada da PUC. Um homem indicava o portão de entrada mais à frente, depois de uma curva, e falou: Você é o 76º na classificação geral até aqui. Uma mulher logo depois falou: Se ainda tem gás, acelera, faltam apenas 20 metros. Mentira! Faltavam ainda uns 400 metros. Passei a linha de chegada chorando, alegre, minha cabeça tava limpa, eu era como um monge budista depois de longas horas de meditação.  Tudo era paz.

 

Tempo: 1 hora e 31minutos. Alegria total! Eu tinha colocado como meta pessoal correr a minha primeira meia maratona no final do ano e meu tempo de sonho era 1 hora e 30 minutos. Antecipei meu projeto em quase meio ano e, além disto, ainda fiz o tempo almejado, claro que com uma pequena variação de um minuto, mas isto não era representativo.

 

A mulher pequena na minha frente foi a vencedora feminina. O campeão masculino fez o percurso em 1h12min.

 

É por estas e outras que a corrida entrou definitivamente na minha vida. E a corrida é a comunhão do meu corpo e minha mente, oxigenação plena do meu cérebro, aliado à natureza que passa por mim enquanto penso e corro, e meu corpo conduzido a tal estado de pureza, responde agradecido com saúde.

 

Classificação: 71a colocação Geral. Tempo de 1h31min30seg.”

 

Você já correu sua meia maratona? Como foi sua experiência? Ou, então, como está se preparando para ela?

 

SOBRE A COLUNA

“Meu nome é Edmilson Lacerda, tenho 43 anos, sou administrador de empresas e resido com minha família em Curitiba. Fui convidado para participar com uma coluna semanal neste blog, basicamente por dois motivos: gosto muito de escrever e levo muito a serio esta paixão; e também porque sou adepto da corrida de rua desde 2003. Lá se vão, portanto, doze anos de treinos diários, grandes aventuras, centenas de provas de 10 km, diversas meias-maratona e quatro maratonas, sendo duas delas internacionais. Através dos meus textos vocês viajarão pelo universo das corridas e espero transmitir minha experiência de um jeito leve e divertido, para quem sabe inspirar e até provocar uma mudança de hábito em suas vidas.”