Dicas de Corredor: Como fugir dos padrões extremos de corpo e de treinos

corredorcansado

 

Dia 05 de agosto se comemorou o dia nacional da saúde e no dia 07 de agosto foi o dia do maratonista.

 

Estas datas homenageiam dois personagens destacados em suas respectivas áreas.

 

Em 05 de agosto de 1872 nascia Oswaldo Gonçalves Cruz, médico especializado em bacteriologia que ocupou o cargo de Diretor Geral da Saúde Pública em 1903 e que combateu firmemente a febre amarela, peste bubônica e a varíola. Infelizmente, este personagem ilustre morreu cedo, com apenas 44 anos de insuficiência renal.

 

Já no dia 07 de agosto de 1932 nascia na Etiópia Abebe Bikila, filho de pastores e primeiro atleta africano a ganhar medalha de ouro olímpica e a vencer duas maratonas consecutivas, em Roma-1960 e Tóquio-1964. Ele também morreu jovem, com 51 anos, vitima de uma hemorragia cerebral causada por um acidente automobilístico que sofrera quatro anos antes e que o deixara paralítico.

 

Interessante que estas duas datas estejam tão próximas, o que me levou a refletir sobre algumas coisas.

 

Falando de saúde especificamente, acredito que estamos vivendo momentos complicados do ponto de vista de padrão estético. Vivemos um culto exagerado e uma exaltação ao corpo perfeito e a síndrome de Peter Pan, que pateticamente está transformando toda uma geração no que eu chamaria de forever young , ou eternamente jovem.

 

O culto exagerado ao corpo e o egocentrismo adotado recentemente, que culmina em cirurgias plásticas, malhação constante, nutrição duvidosa, tem nas selfies o retrato mais perfeito desta idolatria ao eu externo.  A história basicamente se repete. Encontraremos estas mesmas características na sociedade grega antiga.  Mas com os recursos atuais a pasteurização e padronização do ser humano atingem níveis alarmantes. O futuro nos dirá o quão perverso este período foi para a sociedade.

 

O padrão estético dominante no ocidente nada tem a ver com saúde. E considerando que o mundo atual é totalmente conectado, diria que este padrão estético é o padrão do planeta.

 

E, finalmente, falando em maratonas, a coisa não foge muito à regra. Correr uma maratona não é natural para o ser humano. Trata-se de um desafio extremo, em que ao final de 42.195 metros o indivíduo está com tanta imunidade quanto um portador de HIV, ou seja, quase nenhuma. É claro que poucas horas depois a imunidade já está restabelecida, mas durante um tempo a “janela” esteve aberta.

 

Mas como o padrão é do esforço extremo, da busca pela magreza e pelo corpo ideal, muitos corredores acabam fazendo até 10 maratonas em um único ano. Uma imbecilidade gigantesca.

 

Quando corri a maratona de Paris, em abril de 2006, um brasileiro já havia corrido duas maratonas naquele ano e tinha se inscrito para correr a maratona de Londres que aconteceria na outra semana.  Ele queria terminar a prova em menos de 3 horas. Alcancei-o no km 35 e vi que estava em condições precárias. Deve ter terminado em mais de 4 horas. Fiquei a imaginar como aquela figura iria correr dali há poucos dias uma outra prova daquelas. Loucura!

 

Então para finalizar, deixo aqui um conselho: exercitem-se, alimentem-se e cuidem de seu corpo de forma normal, sem exageros e com foco em saúde. 

 

 

Envelhecer de forma digna também deve ser uma hipótese a ser avaliada.

 

Não quero perder minha identidade e não me reconhecer no espelho.  Há muita história por detrás de cada ruga do meu rosto e elas fazem parte da construção do meu eu. Me orgulho das que já possuo e me orgulharei muito das que virão.

 

Em se tratando de corridas, logo as maratonas cederão espaço para as meia maratonas, as meia maratonas abrirão alas para as rústicas, e quando já não conseguir correr o quanto eu gostaria, ficarei feliz em poder dar uma boa e bela caminhada.

 

É a vida!

 

 

SOBRE A COLUNA

“Meu nome é Edmilson Lacerda, tenho 43 anos, sou administrador de empresas e resido com minha família em Curitiba. Fui convidado para participar com uma coluna semanal neste blog, basicamente por dois motivos: gosto muito de escrever e levo muito a serio esta paixão; e também porque sou adepto da corrida de rua desde 2003. Lá se vão, portanto, doze anos de treinos diários, grandes aventuras, centenas de provas de 10 km, diversas meias-maratona e quatro maratonas, sendo duas delas internacionais. Através dos meus textos vocês viajarão pelo universo das corridas e espero transmitir minha experiência de um jeito leve e divertido, para quem sabe inspirar e até provocar uma mudança de hábito em suas vidas.”