Dicas de corredor: Corrida de aventura, um misto de corrida e rapel

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O legal da prática da corrida é que existem diversas provas, distâncias e tipos de superfície.

 

Em um determinado ano eu corri todas as etapas do circuito de montanha de Curitiba. São corridas realizadas em condições bem atípicas, em estradas de chão e trilhas íngremes no meio do mato, que pode ser no cenário paradisíaco da Ilha do Mel ou na região de Morretes ou Ponta Grossa.

 

Se quiser saber mais detalhes entre no site www.naventura.com.br.

 

Na corrida de aventura o importante não é a velocidade e sim a resistência. Esqueça os tênis rápidos e leves do asfalto e prefira um tênis mais apropriado para trilhas, com bastante ranhuras e mais reforçado.

 

Em uma das etapas eu lembro que o trajeto passava por uma cachoeira, só que os corredores não podiam parar para se refrescar ou tomar um banho. Foi uma grande tortura, mas só o fato de poder correr num cenário daqueles apagava este pequeno problema.

 

Em todas corridas sempre há um trecho bastante íngreme em que não existe a menor possibilidade de se correr. A mata é fechada, há uma pequena trilha e em subida muito forte. O jeito é apelar para as mãos e subir lentamente até encontrar um caminho mais apropriado para voltar a correr mais à frente.

 

Na Ilha do Mel há uma parte do percurso que literalmente os corredores tem que praticar uma espécie de rapel, segurando em uma corda e avançando lentamente. Ao chegar ao cume, a gratificação é olhar aquele mar lá embaixo, esperando por você.

 

Quando chove durante as provas ou quando choveu recentemente, a corrida fica mais emocionante e ao mesmo tempo perigosa. Nas subidas tudo bem, você avança mais lentamente e sem tantos riscos. O problema é que todo mundo tenta tirar a diferença nas descidas. E ai os acidentes acontecem. Numa etapa de Morretes eu literalmente comecei a deslizar em uma parte da estrada que estava enlameada e só não cai porque estava com um tênis apropriado. Mas vi muitos companheiros caindo ou com mãos e joelhos ensanguentados ao final da prova.

 

Um dos nossos amigos sempre levava com ele dois cães acostumados a percorrer 10km. Um labrador e um vira-latas. Sem coleira, completamente livres, eles abandonavam o dono e iam à frente, felizes e velozes. Às vezes paravam para tomar água que alguém oferecia, para logo depois voltarem a companhia de alguns afortunados como eu. Estes cães já eram tão populares que em algumas etapas ganhavam medalha de participação.

 

Faz uns 5 anos que não faço este tipo de corrida e ao escrever já estou saudoso e com vontade de me preparar para algumas etapas no ano que vêm. Quando participei havia poucos corredores, uma tribo de não mais de trezentos aventureiros com espírito livre e bom fôlego para os desafios. Acredito que hoje, até pelo número cada vez mais crescente de praticantes de corridas, o número de inscritos seja muito maior.

 

Além da prática esportiva em si, ainda havia outro benefício importante: a confraternização. O espírito fraterno ao final era muito bacana. Para os inscritos e familiares que pagavam com antecedência, havia um almoço num restaurante rústico próximo a chegada. Lá todos podiam relaxar com amigos e compartilhar as histórias e aventuras recém vivenciadas.

 

Espero que este espírito ainda se mantenha nestas corridas de montanha, pois espero poder levar meu filho, hoje com 4 anos, para curtir estas aventuras de final de semana e me receber de braços abertos ao final de uma etapa.

 

SOBRE A COLUNA

“Meu nome é Edmilson Lacerda, tenho 43 anos, sou administrador de empresas e resido com minha família em Curitiba. Fui convidado para participar com uma coluna semanal neste blog, basicamente por dois motivos: gosto muito de escrever e levo muito a serio esta paixão; e também porque sou adepto da corrida de rua desde 2003. Lá se vão, portanto, doze anos de treinos diários, grandes aventuras, centenas de provas de 10 km, diversas meias-maratona e quatro maratonas, sendo duas delas internacionais. Através dos meus textos vocês viajarão pelo universo das corridas e espero transmitir minha experiência de um jeito leve e divertido, para quem sabe inspirar e até provocar uma mudança de hábito em suas vidas.”